21/11/2016 — Texto: Francine Trevisan

Reconhecido mundialmente pelo seu modo autêntico de misturar cores e objetos, Sig Bergamin é uma personalidade carismática e respeitada.

Observando sua elegância e seu elaborado portfólio profissional, é fácil acreditar que o dono de aristocráticos olhos azuis frequenta a Champs Élysées desde pequenino e cresceu no bairro dos Jardins. É surpreendente, e ao mesmo tempo encantador, saber que Sig passou a infância na pequena Mirassol, no interior de São Paulo, onde começou a revelar seu talento, quando aos 14 anos decorou para o carnaval o clube da cidade, fazendo sucesso entre os amigos. Mais tarde, formou-se arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos, e o garoto que até os 15 anos nunca havia visto o mar, não se intimidou ao atravessá-lo inúmeras vezes em busca de cultura, inspiração e peças exóticas para compor ambientes de moradia e trabalho para clientes exigentes.

Viajar parece ser a influência mais significativa na sua obra, tanto que no seu perfil do Instagram o profissional define-se como “arquiteto, designer de interiores e viajante”. De fato, é possível perceber na composição de diversos projetos, elementos do oriente misturados com peças ocidentais clássicas e contemporâneas. O profissional gosta de correr riscos, experimentar. Tudo isto dosando a presença da cor, toques de brasilidade e valorizando peças que possuem significado emocional para o cliente.

A demanda no Brasil por ambientes bem pensados e aconchegantes aumentou significativamente nas três últimas décadas, em consequência do aumento da renda e dos problemas urbanos. O retorno ao ninho, ao porto seguro, ao universo pessoal de cada um, foi valorizado à medida que a rua foi rotulada como algo hostil e imprevisível. Sig aproveitou esta mudança comportamental, coincidente com seus 25 anos de carreira, para investir na composição de projetos de interiores únicos, sem apegar-se à tendências, sem utilizar fórmulas que, pretensiosamente, tentam regulamentar a estética dos meios de morar, trabalhar, descansar… Ele próprio define seu legado como um estilo somatório de ecletismo, diversidades étnicas, humor e versatilidade.

Com projetos espalhados em diversos países, foi incluído na lista dos 101 TOP em decoração pela revista americana House Beautiful. Possui livros publicados e é habitué em revistas especializadas nacionais e internacionais. Mais do que ambientes cheios de vida, o profissional e sua equipe concebem locais que permitem uma emocionante experiência estética, como é o exemplo da Casa de Campo elaborada para a Casa Cor 2014.

Sig é mais conhecido pelo público em geral através das suas participações em mostras de decoração. Nestes ambientes, onde é permitido experimentar e lançar novas tendências, o arquiteto libera todo seu fluxo criativo e carrega mais no arranjo das composições e na quantidade de itens. Porém, se analisados seus projetos para casas de praia, por exemplo, pode-se descobrir ambientes extremamente iluminados e leves, com amplos fundos brancos, porém sem frieza, graças à a escolha criteriosa das peças decorativas.

Engana-se quem acredita que o ato de decorar depende totalmente de uma verba abastada. O arquiteto cita o percurso como um processo afetivo, onde os gastos ajudam, mas garimpar com paciência é essencial. Decorar é imprimir emoção. E uma maneira de conseguir isto é valorizar peças usadas, que possuem marcas do tempo, pátinas e uma história para contar. A estética da memória afetiva é um artifício que se popularizou atualmente, em conjunto com a cultura da reciclagem e da valorização do passado; porém sempre foi utilizada pelo arquiteto, que pode ser considerado um difusor desta prática no país. Ele sempre misturou itens históricos com hits contemporâneos, adicionando toques de visão e humor, imprimindo personalidade e sentimento ao espaço concebido.