29/03/2017 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: Elson Yabiku

Casa na represa foi reformada para aumentar o número de dormitórios e ampliar o espaço da área gourmet.

A poucos minutos do centro de Sorocaba, fica esta deliciosa casa, localizada em um condomínio na represa de Itupararanga. Construída há mais de 25 anos, trata-se de uma casa de campo, utilizada com muita frequência pelos proprietários, que recebe sempre os filhos e os amigos para um fim de semana de paz e descanso. A proposta de ampliação se deu pelo número reduzido de dormitórios e pelas limitações de espaço da cozinha da edificação original.

“Resolvemos então criar, no lugar da antiga edícula, mais dois dormitórios e uma área gourmet completa, que acabou se tornando o coração da casa”, declarou o arquiteto Andre Paes. “Meus clientes desejavam que a área gourmet ganhasse um grande destaque, por isso optamos por integrá-la com a natureza e proporcionar uma vista exuberante para a represa”.

O projeto seguiu o estilo da casa principal, uma construção mais antiga, com portas e janelas em madeira e telhas de barro, em um estilo bem campestre. A casa já existente ganhou telhas mais claras e uma nova pintura, para seguir a identidade visual do novo bloco.

Segundo Andre, o maior desafio foi posicionar a cozinha de modo que a construção existente não obstruísse a vista do horizonte. “Também tivemos a preocupação de setorizar o novo bloco, de modo que a área íntima dos dormitórios pudesse isolar-se do agito da cozinha, quando necessário. Também criamos um acesso externo, através do jardim, que leva diretamente ao corredor dos quartos”. A estrutura da nova área é predominantemente em concreto e alvenaria. A ala da cozinha recebeu estrutura em madeira, para dar um ar de aconchego ao local. “A área gourmet é toda envidraçada, voltada para as melhores vistas e integrada com o exterior”.

Alguns detalhes charmosos dão um toque de cozinha caipira ao projeto. “Nesse sentido, destaco o piso em tecnocimento, em uma referência ao cimento queimado, os ladrilhos hidráulicos, o fogão a lenha e os objetos decorativos”. De acordo com Andre, o tecnocimento também foi escolhido por ser um material mais tecnológico, de mais resistência, que não mancha ou trinca como o original. “O mesmo ocorre com as esquadrias de PVC. Elas apresentam o visual da madeira, desejado pelo proprietário, mas oferece um desempenho térmico e acústico infinitamente superior, garantindo um funcionamento suave e perfeito, além da facilidade de manutenção”.

Com muita harmonia, móveis mais rústicos e elementos tradicionais, como o fogão a lenha e a panela de barro, convivem com eletrodomésticos de última geração. “A ideia foi justamente essa mescla de linguagens. A cozinha precisava ser completa, prática e contemporânea, porém com ‘ares’ de cozinha caipira. Então, os elementos fizeram essa ligação com o espírito das casas de campo”.

Na parte externa, a natureza parece invadir a casa. “Tiramos partido do exuberante cenário existente no entorno da casa e a mata nos deu de presente essa vista sensacional. O deck, de ipê, sobre o talude lateral prolongou a área útil do terreno, onde posicionamos a churrasqueira, para que ela ficasse também integrada à área da cozinha”.

Em relação à iluminação, Andre comenta que o objetivo era proporcionar diferentes ambientações, desde um ar mais festivo até um clima mais intimista. “A iluminação é fundamental nisso. Mesmo as luzes utilizadas no jardim foram cuidadosamente planejadas”.

O paisagismo foi estratégico para auxiliar na integração dos dois blocos, de modo elegante e prático. Por isso o jardim foi composto de espécies de fácil manutenção, bem como os materiais ali empregados, como os pisos cimentícios, os pedriscos e o deck em madeira. “Os bancos permitem que as pessoas passem momentos de descanso e contemplação, em companhia daquela deliciosa jabuticabeira”.