03/06/2017 — Texto: Sandro Prezotto | Fotos: Elson Yabiku

No projeto de seu escritório, arquiteto buscou conforto para sua equipe.

Para a criação de seu próprio escritório, o Studio AU-P17, o arquiteto Bruno Rubiano teve como objetivo causar impacto e trazer conforto aos usuários, trabalhando a partir de um espaço físico justo, mas que oferecesse a sensação de amplitude, ambientado para manter a equipe sintonizada e sempre em contato.

“Queríamos criar algo ousado e o principal desafio foi o espaço físico limitado, de 45m², onde deveríamos acomodar uma equipe de até 12 pessoas trabalhando. Acredito que o resultado foi alcançado com satisfação. Além da concepção do projeto, todos os móveis têm o nosso desenho. Em cada canto e cada detalhe há referências ao nosso trabalho”, contou Bruno.

Com base no estilo contemporâneo, apoiado em linhas retrô, o arquiteto organizou o projeto em recepção, área de trabalho, plotter, sala de reuniões, copa e lavabo. “Com a customização do espaço, ganhamos em circulação e mantivemos a integração entre as pessoas”.

O projeto de construção aproveitou um espaço do lote que estava sem utilização (na parte da frente do terreno fica o escritório do pai do arquiteto). “Eu tinha essa ideia de surpreender os clientes que chegam ao ambiente e não imaginam o que vão encontrar”.

Segundo Bruno, a ideia foi explorar o pé direito duplo para ganhar em profundidade e destacar a sala de reuniões. “Esse espaço tem um desenho proposital: solta em todas as extremidades, como se fosse uma caixa de madeira, livre no espaço, com fechamento em vidro com duas folhas, uma fixa e outra de correr, para isolar em dias de reuniões”.

Todos os móveis foram desenhados especialmente para cada espaço, assinados pelo arquiteto. “Na copa, criamos um balcão com sistema de rodízio, que pode ser deslocado para ganharmos mais espaço de acordo com o volume de trabalho. Assim, a mesa do plotter fica mais livre para o recorte dos projetos. A bancada de granito (com 3,50 m) pode ser compartilhada entre a copa e o lavabo”.

No projeto de iluminação, Bruno destaca a concepção de uma porta frontal em vidro, que teve sua altura propositalmente elaborada para controlar a incidência de iluminação natural. “A posição da porta foi pensada para criar este efeito, que reflete no piso e transfere a luminosidade para a parte interna. Os itens de iluminação artificial foram utilizados para criar cenários para cada tipo de uso, em cada ambiente”.

Outro aspecto importante, que tem presença constante nos trabalhos desenvolvidos pelo Studio AU-P17, é a sustentabilidade. No projeto do escritório, a madeira utilizada na ‘caixa’ da sala de reuniões foi reaproveitada de uma casa desmontada. “Fizemos apenas o pranchamento, com chapas de sucata, criando o efeito corten”.

Na fachada, os acabamentos escolhidos foram placas cimentícias e madeira de reuso. “Para isolar o escritório já existente, recuamos um portão vazado, feito de lambril em aço corten, que manteve a integração visual e controlou o vento incidente no local. Um caminho, com paisagismo baseado em lança de São Jorge, deu um toque final, com um clima mais espiritual”. Entre outros materiais utilizados no acabamento, Bruno também ressaltou o porcelanato italiano, vidro ladrilho e gesso acartonado.