Esse ano no Rio de Janeiro teremos a 31ª Olimpíada da era moderna. A primeira realizada no Continente sul-americano, sem dúvida uma quebra de barreira para o Brasil e para todo o continente!

Foto: Taxiarchos228

Mas neste mesmo ano de 2016, em 17 de Julho, celebram-se os 40 anos dos Jogos Olímpicos de Montreal, aquela Olimpíada que fez o mundo conhecer a genial romena Nádia Comăneci, que encantou o mundo com suas sequências de notas 10!

O palco principal dos jogos de 1976 foi o emblemático Estádio Olímpico de Montreal, marco único na arquitetura contemporânea mundial.

O design do edifício é citado como uma obra-prima da arquitetura orgânica. Foi inspirado nas formas de plantas e animais, com o objetivo de incluir estruturas vertebrais com tendões ou tentáculos e ao mesmo tempo seguindo os planos básicos da arquitetura moderna.

Foto: storem

Esse estádio é uma escultura que foi concebida pelo arquiteto francês Roger Taillibert, inspirado no pavilhão da Austrália na Exposição Universal de Osaka em 1970.

Projeto inspirador do Estádio Olímpico de Montreal, (Expo 70)

O edifício é uma grande concha que comporta 56 mil espectadores, composto por mais de 12.000 elementos pré-fabricados de concreto armado, coberta em seu vão central por membranas de fibra de Kevlar revestido de P.V.C, apoiadas por cabos de aço tensionados a uma torre inclinada!

Foto: abdallahh

E por falar em torre, a torre do Estádio Olímpico de Montreal é ainda hoje a torre mais inclinada do mundo, com seus 165 metros de altura e dezoito andares. Possui 45° de inclinação, contra “apenas” 5° da torre de Pisa na Itália. Recentemente, a torre Capital Gate, em Abu Dabi foi intitulada pelo Guinness Book, a torre mais inclinada do mundo com 18° de inclinação… fato controverso!

A subida se dá por um teleférico que pode acomodar até 76 passageiros ou 5.500kg. Este teleférico é o único no mundo a correr em uma estrutura curva e um sistema hidráulico torna possível a cabine permanecer horizontal durante os dois minutos da subida.

Foto: REUVEN FRIZI

As polêmicas com este estádio fazem jus à sua fama. Seus números são colossais! Foram retirados 2.12 milhões de m³ de argila e calcário nas escavações. Sua torre com 8000 toneladas no topo, ligada a uma infraestrutura de concreto que vai até dez metros abaixo do nível térreo com massa de 166.000 toneladas, o equivalente a três porta-aviões; E além, claro, do custo exorbitante em seus 40 anos desde a construção até a finalização completa em 2006, de mais de 1.76 bilhões de Dólares Canadenses (4.46 Bilhões de Reais), três vezes a mais que o previsto inicialmente! Tão caro que a cidade de Montreal levou 40 anos para pagar a dívida!

Hoje comenta-se que o belíssimo estádio poderá ser demolido em 2019. Obsoleto para os padrões atuais, com pouco uso, e economicamente inviável para os cofres públicos, sua manutenção anual é de cerca de US$ 1,2 milhões (R$ 4 milhões).

A deterioração mostra-se a grande inimiga em questão, partes da cobertura já caíram duas vezes, além dos mais de 6.000 rasgos em sua cobertura atual, os cabos tensionados que a sustentam, têm prazo de validade até 2017, o que cogitou a possiblidade de deixa-lo sem cobertura, mas isso geraria um custo de impermeabilização do estádio, que ficaria sujeito ao desgaste do forte inverno canadense.

R$ 600 milhões foram destinados à sua reforma, mas a conta não inclui o teto, se nada disso for viável, ou não se encontrar uma outra forma de torná-lo rentável, em 2019, ele será demolido ao custo de US$ 700 milhões

Caro, polêmico, mas, sem dúvida, um ícone da arquitetura mundial